domingo, 11 de setembro de 2011


Boa-noite, vou me recolher para um cházinho com a minha confraria.

"...Vi minha vida se desenrolar diante de mim como uma figueira de um conto que havia lido. Da ponta de cada ramo, um gordo figo roxo acenava e me seduzia com um futuro maravilhoso. Um figo significava um marido e um lar feliz com filhos, outro era uma poetisa famosa, outro uma professora, outro era Esther Greenwood, a surpreendente editora, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro ...Constantin e Sócrates e Átila, um bando de amantes com nomes esquisitos e profissões originais, outro ainda era uma campeã olímpica, e acima de todos esses figos havia muitos outros que eu não conseguia entender. Vi-me sentada sob essa figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia decidir qual figo escolheria. Queria-os todos, e escolher um siginificava perder o resto. Incapaz de me decidir, os figos começavam a murchar e apodrecer, e um a um caiam no chão a meus pés..."


Sylvia Plath
A Redoma de Vidro


Entardecer mágico na Esplanada, Festival de Balonismo, centenas de balões no céu da cidade, todo mundo olhando pro céu e sorrindo, balões de todas as cores e tamanhos, uma aura de alegria e magia...
Oração de São Bento (usada pelos exorcistas): A Cruz Sagrada seja minha Luz, não seja o dragão o meu guia! Retira-te, Satanás; nunca me aconselhes coisas vãs; é mau o que me ofereces; bebe tu mesmo teu próprio veneno!!!
“O que tem de ser, tem muita força”. Ninguém precisa se assustar com a distância...os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde...” (Caio F. Abreu)
Aqui na minha quadra tem um cara que passa todos os dias, domigos e feriados incluídos, na mesma hora e grita: ÓIA O GAIZ, GAIIIIZZZZ! Virou um mantra doméstico, quando o pessoal tá meio caidaço aqui em casa a gente repete: ÓIA O GÁIZZZZ!!!!!!!!!
Tem coisas que a gente faz que, num primeiro momento, parecem incompreensíveis para nós mesmos, mais ainda para os outros. E só depois a gente entende que não foi a gente que fez. Foi a nossa alma.
O homaredo tá vendo o jogo e depois a mulherada vai ver O Astro. Assim é a vida de tão simples.
Manual de sobrevivência - Willian Shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e nem promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto...
O que devo responder para quem me mandou a seguinte mensagem:
Nas curvas de teu corpo capotei meu coração.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Maldição. Por Lélia Almeida.

Quando eu nasci as musas, debruçadas sobre o meu berço disseram: "Nossa, como ela é feinha! Pra compensar, você vai ser muito inteligente", disse a primeira, "e clarividente", disparou a segunda, e a terceira, que estava de tmp, lançou a maldição que me persegue vida afora: "e cada vez que você se apaixonar vai emburrecer e perder todos os seus dons!"



quinta-feira, 25 de agosto de 2011




Do verdadeiro território do amor, por Lélia Almeida.

Fim de tarde. Todas de banho tomado e camisola na cama da Vó Pepa. Ela diz, eu e as minha guriazinhas. Contamos para a Sofia do dia em que ela nasceu, olhamos álbuns de fotos, estamos frescas, cabelos molhados, cada uma conta um pedaço da história, lembra de um detalhe, da roupinha amarela, da correria na hora do nascimento, e da nossa alegria que dura cinco anos já. A cama da Vó Pepa é como um navio suspenso no espaço. Estamos guardadas no tempo da memória. A tarde cai, o barco avança noite adentro. Quem conduz a nave, confiante e sorridente, é uma menina-capitã que sabe que aquele espaço suspenso é o verdadeiro território do amor.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Hombre pequeñito, um poema da Alfonsina Storni.


Hombre Pequeñito, de Alfonsina Storni.

Hombre pequeñito, hombre pequeñito,
suelta a tu canario que quiere volar.
Yo soy tu canario, hombre pequeñito,
...déjame saltar.

Estuve en tu jaula, hombre pequeñito,
hombre pequeñito que jaula me das.
Digo pequeñito porque no me entiendes
ni me entenderás.

Tampoco te entiendo, pero mientras tanto
ábreme la jaula, que quiero escapar;
hombre pequeñito, te amé media hora,
no me pidas más.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011


O devaneio amoroso está em alta:

(...) Notemos, aliás, que um devaneio, diferentemente do sonho, não se conta. Para comunicá-lo, é preciso escrevê-lo, escrevê-lo com emoção, com gosto, revivendo-o melhor ao transcrevê-lo. Tocamos aqui o domínio do amor escrito, essa moda está acabando. Mas o benefício permanece. Ainda existem almas para as quais o amor é o contato de duas poesias, a fusão de dois devaneios. O romance por cartas exprime o amor numa bela emulação das imagens e das metáforas. Para dizer um amor, é preciso escrever. Nunca se escreve demais. Quantos amantes não correm a abrir o tinteiro mal chegam de seus encontros amorosos! O amor nunca termina de exprimir-se e se exprime tanto melhor quanto mais poeticamente é sonhado. Os devaneios de duas almas solitárias preparam a doçura de amar. Um realista da paixão verá aí apenas fórmulas evanescentes. Mas não é menos verdade que as grandes paixões se preparam em grandes devaneios. Mutilamos a realidade do amor quando a separamos de toda a sua irrealidade.

In: A poética do devaneio, de Gaston Bachelard.

domingo, 7 de agosto de 2011

As minhas dores:

Lélia Almeida.

As minhas dores. Nem que eu quisesse, poderia me livrar delas. Elas não passam assim nomás, como nuvens, são profundas e se formaram como sulcos no caminho que é o meu. Não posso guardá-las escondidas como se não fizessem parte da minha vida, da história dos meus dias e das minhas noites. Elas são inseparáveis de tudo o que sonhei e desejei um dia, de tudo o que desejei ser ou ter, inseparáveis do que consegui conquistar.
As minhas dores, quero-as todas só pra mim, minha velhas conhecidas, amigas. Quem seria eu sem elas, as minhas dores? Um ser tolo, superficial, sem dúvidas. Foram elas que me ensinaram as seiscentos e trinta e oito Lélias que eu carregava dentro de mim, as trezentas e oitenta e oito que ficaram pelo caminho, e foram, as minhas dores, sim senhor, que me ajudaram a dar de beber a todas eus e a despedir-me daquelas que eu já nem era mais. Como doem as minhas dores, mas quero-as todas, egoísta, só pra mim. Que seria eu sem elas? Grandes conhecidas e desconhecidas, que me embalaram nas minhas tantas mortes e me acolheram nas minhas tantas vidas, não, não dou minhas dores pra ninguém.
E vamos por aí, mundo afora fazendo tudo para acabar com elas, as benditas e benfazejas dores, abençoadas, que nos ajudam na travessia mais árdua das nossas transformações sagradas e inevitáveis em nós mesmos, é claro, pois sim. Ninguém mais quer as suas dores, há remédios para todas elas, toma remédio que passa, passa pomada que passa, come tal coisa que passa, não come que também passa, tudo para esquecê-las. Quando, na verdade, tínhamos que reverenciá-las. Benditas, as nossas dores, que nos dão a nossa medida mais humana e pequena, filhos delas somos, doloridos de tanta vida e de tanta morte, fartos da exuberância de tantas transformações. Sentir dor passou a ser um defeito, é como ter uma orelha grande, um nariz torto, uma barriga, uma corcunda, um olho vesgo. E temos de remediar, curar, como se doer não fizesse parte da vida. Mas quando dói, dói mais embaixo, dói na alma e não há remédio que faça passar. Por que, como podemos ficar felizes e contentes de novo, sem passar pelas nossas dores? É possível passar pela vida sem viver, é possível passar pelas dores sem senti-las, é possível viver sem morrer? Quantas tenazes resistências em não viver as dores e nossas obrigatórias e inevitáveis mortes, quantas resistências em viver a vida no que ela é, um ciclo de plenitude e finitude.
Quero as minhas dores todinhas, inteiras, sem remédio, nem alívio, porque quando elas passam, só eu sei como é bom de novo, estar ali, velha e fresca, embalada pelo fluxo inevitável, indo para o caminho de mim, o único real, o único possível.