domingo, 15 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Este livro pode ser encontrado no seguinte endereço:
http://clubedeautores.com.br/book/120038--As_meninas_mas_na_literatura_de_autoria_feminina
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Este livro pode ser encontrado no endereço abaixo:
http://clubedeautores.com.br/book/119576--Mujer_de_Palabras
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Este livro pode ser encontrado no seguinte endereço:
http://clubedeautores.com.br/book/120012--As_Gregas_do_Mangue
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http://clubedeautores.com.br/book/119573--Posts_da_Lelia
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
In: "Tristes, loucas e más. A histórias das mulheres e seus médicos desde 1800",
de Lisa Appignanesi.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sábado, 19 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Almodóvar não é uma unanimidade, ainda bem. Outro dia um cidadão daqui do face me perguntou, você é "daquelas" que gosta do Almodóvar? Sou, incondicionalmente. A conversa não rendeu. Em "La piel que habito" ele faz uma pergunta simples: qual o maior castigo para um estuprador? E responde: ser uma mulher. Mas nada no universo almodovariano é maniqueísta ou simples. Nem o estuprador era exatamente um estuprador e nem o castigo foi tão castigo. Em "Hable con ella" ele já tinha prescrutado estes abismos, o que foi, tecnicamente, um estupro da bailarina em coma, foi o que a salvou pelo amor sem medidas do enfermeiro apaixonado. Almodóvar sabe perguntar e sabe da impossíbilidade das respostas fáceis já que o que existe sob la piel que habitamos é complexo, imenso e que, no encontro com o outro, tudo reverbera de maneiras insólitas, inusitadas, impossíveis de prever. O que há sob la piel que habitamos é como os filmes do Almodóvar: exagerado, colorido, dramático, selvagem, cruel, delicado, desconhecido. Sem falar na Marisa Paredes tal qual uma figura lorquiana, meio Yerma, dizendo la locura está en mi utero, e aquele tigre!!!! A criatura que mata o criador, Galatéia se vinga de Pigmaleão, a homenagem às escritoras mulheres, a crudelíssima Alice Munro. Aplaudo. E recomendo.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Eu, a mulher-macaca, por Lélia Almeida.
Na minha quadra tem um
salão de beleza que se chama Paraíso, é todo rosa-pink com poltronas forradas
com uma imitação de couro de vaca, branco e preto. A dona do salão se chama Nete, mulherão
de 1,80, corpo escultural, punk velha, mulata, toda vestida de couro preto,
tatuada, cabeça raspada, calça justa, bundão e decote atrevido.
A primeira vez que
entrei no salão era sábado de tardezinha e perguntei se alguém podia tirar a
minha sobrancelha e fazer a minha mão. Ela me olhou e disse: “- A esta hora?” A
minha expressão de desapontamento amoleceu o coração daquela mulher com
cara de poucos amigos que resmungou: “- Tá bem, pode entrar.”
A conversa fluiu fácil,
como sempre acontece nos salões, principalmente nos mais populares como este,
e se transformam numa grande terapia de grupo, onde os assuntos quase sempre
são os mesmos, e que vão das dificuldades para emagrecer, aos infortúnios
amorosos e as preocupações com os filhos. E todas se aconselham, se queixam,
expurgando dores que parecem ser coletivas.
Eu estava
particularmente arrasada quando entrei no salão, tomada de uma tristeza que me
consumia, ansiando por uma pinça na sobrancelha para poder chorar sem pudor e
aliviar um pouco a minha gastura. Mas não chorei.
Nete sentou numa escada pequena colocada atrás de mim, abriu as pernas e segurou a minha cabeça entre os seus peitos, pude sentir o seu cheiro doce, as mãos ágeis trabalhando nas minhas sobrancelhas, senti o hálito muito próximo e o que emanva dela era muito perfumado e suave. Contou que sempre sentia um nó na garganta aos sábados na tardinha, que foi num entardecer como este que a mãe a deixou num orfanato, junto com a irmã, porque não tinha como dar conta das filhas, de tão pobres que eram. Contou baixinho, muito próxima de mim, quase sussurrando. E a minha agonia foi se diluindo em lágrimas que vertiam para dentro enquanto meus olhos mergulhavam na imensidão daquela mulher agora travestida de menina. Era um orfanato em algum lugar perto aqui da Brasília, ela sonhava todas as noites que voltava pra casa pra cuidar da mãe.
Nete sentou numa escada pequena colocada atrás de mim, abriu as pernas e segurou a minha cabeça entre os seus peitos, pude sentir o seu cheiro doce, as mãos ágeis trabalhando nas minhas sobrancelhas, senti o hálito muito próximo e o que emanva dela era muito perfumado e suave. Contou que sempre sentia um nó na garganta aos sábados na tardinha, que foi num entardecer como este que a mãe a deixou num orfanato, junto com a irmã, porque não tinha como dar conta das filhas, de tão pobres que eram. Contou baixinho, muito próxima de mim, quase sussurrando. E a minha agonia foi se diluindo em lágrimas que vertiam para dentro enquanto meus olhos mergulhavam na imensidão daquela mulher agora travestida de menina. Era um orfanato em algum lugar perto aqui da Brasília, ela sonhava todas as noites que voltava pra casa pra cuidar da mãe.
Somos duas mulheres-macacas
ao entardecer no meio de uma selva esplêndida, íntimas, catamos piolhos uma da outra, nos
fazemos carinhos, nos embalamos, nos contamos segredos, choramos, rimos,
dividimos as nossas dores e as nossas ânsias. Pude ver sim, ao meu redor,
muitas mulheres-macacas, em rituais ancestrais quando as mulheres cuidam das outras
mulheres, na hora dos partos, das mortes, das tristezas e nas horas mais
felizes também. Carrego esta selva e esta memória dentro de mim, este lugar
aonde posso voltar a me embalar no colo desta confraria tão antiga.
Ela conta de quando pôde
voltar pra casa, mocinha já e começar a trabalhar e a cuidar da mãe e da irmã,
e que agora estão todas juntas, com os filhos criados e que deu tudo certo,
graças a Deus, mas que sempre sente esta agonia aos sábados na
tardinha.
O som estridente do celular
de uma mulher jovem que corta os cabelos nos arrebata da selva. Ela responde
monossilábica: “- hum-hum-sim-hum-hum-um beijo” e desliga. Diz pra moça que está
cortando o cabelo, “- Rápido aí com este corte, que vou ter que realizar um atendimento
ambulatorial, faz tempo que este santo pede missa, hoje vou fazer uma ação entre
amigos, dar uma alegriazinha pro rapaz.”
As macacas começam a
rir, os pássaros debandam com as gargalhadas e, subitamente, tudo vira festa no
entardecer na selva.
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