sábado, 8 de outubro de 2011

Chamei por ele antes de dormir, uma voz inaudível era a minha procurando por ele. Adormeci chorando abraçada em mim, a saudade é um oco, um abismo, um alento. (Lélia Almeida, in: Sublime, 2011)
As cigarras estão frenéticas, despertam tudo o que eu queria que adormecesse dentro de mim. A espera é uma raspagem. (Lélia Almeida, in: Sublime, 2011)
O corpo dele grudado no meu, mal posso respirar, olho nos olhos dele: diga pra mim que é pra sempre, minta pra mim, diga que é pra sempre. (Lélia Almeida, in: Sublime, 2011)
O travesseiro surrado, a cama velha, as cortinas gastas. Mas tudo brilha naquele lugar precário. É grafico: assim é a casa do amor, assim é o desejo: pobre, pedinte, simples, exuberante. (Lélia Almeida, in: Sublime, 2011)
Tudo me fascina, do inventário das coisas simples. O jeito como ele toma o café, passa a manteiga no pão, limpa a boca e pega a minha mão decidido: vamos, já estamos atrasados. Saímos de mãos dadas e sou a dona daquela cidade caótica ao lado dele. (Lélia Almeida, in: Sublime, 2011)
São as coisas simples que me fazem refém: o jeito que ele sussurrou no meu ouvido no meio do bar, vamos para a minha casa que eu quero tirar este perfume de você. (Lélia Almeida, in: Sublime, 2011)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ai, meninas, andei pensando que tipo de conteúdo postaríamos num blog que se chamasse "A fuga das galinhas" ... me ajudem...
Maravilhar-se, de Jorge Luis Borges: "em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o fato de que as letras de um livro fechado não se misturassem e se perdessem no decorrer da noite".
um rapaz muito jovem e sedutor me disse, as mulheres gostam do meu lado feminino, eu disse a ele não se engane, elas gostam é do seu lado masculino mesmo. mulher quase sempre é simples viu, não complique.
Fiquei sem saber o que dizer, na frente das cartas, quando a moça me disse: Tem poucas coisas nesta vida que identifico com tamanha precisão como o movimento de um homem indo embora. Um aprendizado que eu trouxe de casa, este. Aprendi cedo, com o meu pai. E não esqueci.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

acabei de receber um e-mail de um leitor perguntando se estou com a macaca hoje, com tantos posts... querido, não se trata de estar com a macaca, mas de estar sem o macaco...
Tratado da insatisfação feminina: em quinze dias experimentei um tonalizante chocolate, uma tintura castanha, outra louro médio e hoje fui de henna. Me sossega, Meu Deus, me chicoteia, Jesus!
Se você passar dois dias chorando numa cama comendo chocolates, saiba, você não está deprimida, você está triste. Quando você estiver deprimida nem vai lembrar que a cama é um colo, o chocolate uma bênção e o choro um bálsamo!
Saudades do Fausto Wolff: (...) Cada homem tem o seu caminho e a sua missão. À medida que caminha, sua missão torna-se mais e mais clara. (...) Acredito que todos os homens trazem dentro de ti a chama divina. Isso nos provam os poetas, os grandes artistas, os cientistas que, entretanto, estão longe da perfeição. (p.359) (...) - Quando menino sofri muito por sua causa. - disse Joel - Na adolescência, cheguei à conclusão de que o senhor não era importante para meus ideais. A perfeição da natureza informava-me da sua existência, mas não conseguia imaginar alguém tão solitário e com tamanhos poderes. Cheguei à conclusão de que todos nascemos para desempenhar um papel no sentido de dar sua contribuição para a evolução do homem; para seu entrosamento harmônico com a natureza. Acreditei que se desempenhasse meu papel honestamente não teria por que me preocupar com a existência de Deus. Se ele existisse, certamente não seria vingativo e nem me castigaria por meus insignificantes pecados. Se me cobrasse, na hora da minha morte, eu estaria pronto para demonstrar que fizera a minha parte. (p.250). Fausto Wolff, in: Olympia. Belo Horizonte: Leitura, 2007.
E quando o cabelereiro diz aquela frase fatídica: cabelo cresce rápido... é porque a gente não tinha nada que descontar a tristeza no lugar errado...