quinta-feira, 15 de novembro de 2012


Palavras de uma consulente: Para mim relacionamento tem que ser troca. E medida. Achei sábio, de difícil execução, quase sempre, mas sábio.
(Lélia Almeida)

A vizinha da minha mãe está fazendo um treinamento para maquiadora, perguntou se podíamos ser cobaias. Eu, minha mãe e minha irmã, de vestidos caseiros e chinelinhas fomos regiamente maquiadas e depois fomos tomar café às gargalhadas. Eu disse a elas, na nossa idade é importante ter a consciência de que daqui pra frente é tudo morro abaixo, vamos deslizar com um humor e leveza, meninas, que assim fica mais fácil.
(Lélia Almeida)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Escovo  os cabelos da Sofia depois do banho.
Os cachos, a minha cachopa de cachos, eu digo.
Frescor do banho. Frescor da vida.
Ela pergunta muito séria:
-Tia Lélia, quando eu "ter" filhos tu me ajuda a cortar as unhas deles?
- Ajudo sim, Fifi. Ajudo sim.

terça-feira, 2 de outubro de 2012


Dilema de anatomia: Sofia e a avó tem um programa predileto, descer de carro uma ladeira que tem no condomínio. Sofia diz: -Ai, Dodó, me deu um frio na pepeca. A Dodó responde: - é frio na barriga que se diz, Fi. Ela responde: - Não é não, Dodó, em mim é na pepeca.

(Lélia Almeida)

Histórias de peixas:
Tive um pesadelo. O meu gato caía pela janela e eu conseguia salvá-lo, no voo. Acordei desaprumada. Fui ao supermercado com a Sofia que me conduziu firme entre as gôndolas. Encontrei a louca no corredor, a de cabelos brancos, e que anda pelas quadras com cadernos escritos guardados em sacos plásticos. Olho pra ela cúmplice, e digo pra Sofia com o olhar perdido, ela é escritora como eu. Dizem que o cabelo branqueou da noite pro dia, depois de um abandono amoroso. Sofia me olha séria, as jabuticabas imensas: Tia Lélia, você não é como ela, não.
Ufa. Estou salva.

(Lélia Almeida)


Da Sofia:
- Tia lélia, você sabe o que é misericórdia?
-Diz.
-É cruz-credo em outra língua.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012





Lagarta, por Lélia Almeida.

A astróloga disse que estou no momento da metamorfose, me deu de presente a metáfora da transformação da lagarta em borboleta. Fui perguntar a quem mais conhece do assunto, minha mãe, a bióloga, a que sempre tem as respostas. Ela disse que este é um dos grandes mistérios da vida, de como a larva constrói o casulo, as células se organizam de outra maneira, disse a minha mãe-mestra, e de como a borboleta, pronta, com cores e padrões únicos, rompe o casulo. Respirei tranquila entendendo a fome que me mata nestes tempos em que a morte se mistura com a vida e a lagarta sorve restos e migalhas por onde passa. Roubo, voraz, pedaços de queijo daqueles que se servem para degustação no supermercado, este queijo que é como um leite, um leite imprescindível, as asas sendo bordadas, a morte pronta, a morte que nunca esteve tão viva. Da borboleta que não vai reproduzir. Que vai transmutar.















Hoje fui lá visitar a minha a dor
aquela que me habita desde tanto tempo
encontrei-a anêmica, fraquinha,
quase sumida.
Então entendi que tem dores
que cansam da gente
e um dia são isto e nada mais,
uma dor vencida.

(Lélia Almeida)

domingo, 12 de agosto de 2012

O tempo da fervura
o tempo do cozimento
aguardo sem ansiedade
confiando na pertinácia da fome.

 (Lélia Almeida)

quarta-feira, 25 de julho de 2012







Descobri este livro em 1998 e só hoje ele chegou nas minhas mãos. Esgotado no México, foi reeditado pela editora feminista" Horas y Horas", da Espanha, na Coleção que se chama "La cosecha de nuestras madres", recebi hoje o volume "Los cautiverios de las mujeres. Madresposas, monjas, putas, presas y locas", da Marcela Lagarde de los Ríos, como quem espera uma amiga, um amor, juro que continua valendo muito a pena, é um estudo completo, maravilhoso e sempre atual, recomendo e, sinto muito, não empresto!!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2012







Os murmúrios do mundo, por Lélia Almeida.

Ouço os murmúrios do mundo. A voz da minha vizinha de apartamento que diz pra outra, deixa a menina aqui, estou fazendo nêga maluca, deixa ela aqui, estão tão entretidas. A moça do salão que conta que vai penhorar as joias da mãe para pagar os remédios, não tem jeito, ela diz, mulher pobre não pode ser vaidosa e ri baixinho e envergonhada. Minha mãe bordando ao meu lado, que me ensina com paciência o que aprendeu com a mãe e com a avó, a que se chamava Lélia também. Enquanto borda conta histórias da família, namoros, traições, partos, abortos, as biografias anônimas das mulheres comuns. E diz frases como estas: a unha comprida é quase um instrumento, olha só como funciona, me mostra alinhando e dobrando a bainha do pano de prato, ou: o ferro de passar é o melhor amigo de uma costureira, conserta qualquer ruga, qualquer erro também. São os murmúrios das mulheres comuns que tecem as rotinas e que embalam o mundo. Que ficam em casa com as crianças, que tecem e bordam, que não decidem os rumos da humanidade, que quase nunca são ouvidas, que não são consultadas. Ouço seus murmúrios, parece um rio subterrâneo, todas falam mais baixo enquanto obram, e enquanto bordo sei que uma outra ordem nos protege, nos irmana. O ruído apaziguador da máquina de costura, o cheiro das linhas, dos retalhos, a caixa de costura redonda e a tesoura preta. Silêncios, segredos, sussurros, cantigas, ponto cruz, cordoné, pé da galinha, sombra, bastidor, caseadinho, cambraia, cetim, percal, etamine, organdi, uma linguagem universal, a dos murmúrios do mundo. A linguagem das mulheres comuns. Da vida simples, da vida pequena.

quarta-feira, 13 de junho de 2012







Prece para Santo Antonio, por Lélia Almeida.

Santo Antonio, não vou pedir nada ao senhor no dia de hoje. Não vou pedir nada sem antes agradecer, que eu posso até ser pidona e esfomeada, mas sou grata, céus, só eu sei como sou grata. Pois quem seria eu sem os seus favores e a história dos meus amores? Por isso agora, do alto dos meus cinquenta anos, nem penso em pedir nada, mas não posso deixar de agradecer a vida cheia de graças que o senhor me propiciou. O uruguaio que me ensinou a beijar de língua no portão da minha casa numa noite de inverno lá na fronteira, as mãos dadas na matinê e o amor dublado em espanhol mexicano, os namorados dos bailes de carnaval, piratas, ciganos, marinheiros, o namorado alemão, o inglês, a camiseta do Inter do Ricardo, a estatueta que o Russel me deu no Portobello Market, que era um coelho e uma coelha, o Marcelo chegando no aeroporto, o italiano beijando a minha mão, dançando na chuva com o Pablo, o livro da Virginia Wolf que o Nando trouxe de Montevideo e que lemos juntos, chorando, fumando os dedos no banco da praça, mãos dadas na praia com o Johan depois de 20 anos, meu irmão que me consola porque a minha coelha morreu, meu outro irmão que me rouba de um baile de Réveillon e me leva para um terreiro para uma festa de verdade. Os meus primos, ai os meus primos! O que me deu a Mafalda, o Cortázar, o Omar Khayyám, o que disse pra minha mãe que sim, que ia me levar pra casa depois do baile, mães loucas estas que confiam uma prima a um primo! Ele que olhava comigo a vitrine da casa de decoração de madrugada e com quem eu sonhava ter uma casa e com quem tive um filho. As mãos daquele outro safado despertando a minha pele mais profunda e acabando com as minhas vergonhas. O Zé que me dava de beber nas mãos em concha. O olhar perdido do Carlo indo embora no trem que partiu e nunca mais voltou. O abraço de urso do Roberto, o Gian que me chama de meu amor até hoje, ai que vida farta, com estes homens que me ensinaram o melhor de mim e que eu amo com amor infinito e além como aprendi com a Sofia. Os que se misturam com as cidades, ai minha Santa Fé de Bogotá! Os inconfessáveis. Lembro só das coisas boas, Santo Antonio, fiquei boba hoje, com a fartura das boas lembranças. Nem lembro mais dos rios de lágrimas derramados a cada despedida, cada traição, só lembro disso e nada mais. Do primeiro olhar, das promessas e das esperanças imensas que só cabem neste primeiro olhar, os beijos sem fim, os amores cristalizados. E como eles se acomodaram no meu coração e me transformaram numa senhora de olhar saudoso e sorriso maroto. Grata, sobretudo grata, Santo Antonio, pela vida farta que só as namoradeiras têm. Hoje lembro de todos eles. Abençoo cada um, os galinhas e os cretinos também, que a vida sem eles não teria a menor graça, e aos do bem, mais ainda. Obrigada, Santo Antonio, pelo milagre renovado a cada encontro e a certeza que a vida sem os amores é uma vida que não vale a pena ser vivida. A todos eles, meu santo de devoção, a minha homenagem no dia de hoje, e ao senhor, que me provê, a minha eterna gratidão! Amém!

sábado, 2 de junho de 2012




Leite de rosas, por Lélia Almeida.

Eu tinha onze anos quando minha mãe me deu um frasco de leite de rosas e me disse, use sempre antes de dormir para limpar a pele, agora você é uma mocinha. Uso até hoje e o cheiro do leite de rosas me lembra de verdades essenciais todas as noites, depois de tê-las esquecido durante o dia.
Gosto de um livro da Victoria Sau, uma feminista espanhola da velha guarda, maravilhosa, que se chama El vacío de la maternidade. Ela afirma que a maternidade não existe, no sentido de que não existe enquanto valor social, já que somos mães para os filhos dos homens, na história do patriarcado. Tudo o que enaltece as mulheres, um pretenso amor ou instinto materno, o acolhimento, a capacidade de cuidar, é o mesmo que nos perde já que somos descartadas nas horas das tomada das decisões legítimas. As mães sírias que o digam.
Para Victoria Sau, que retoma o pensamento de Riane Eisler de quem gosto muito, em algum momento da história do mundo as mulheres, que viviam numa relação de valorização, não de poder, ao lado de suas mães, numa linhagem matrilinear, foram sequestradas pelos homens que desta maneira, através do sequestro e do rapto enfraqueceram sua referência mais importante, a mãe, a avó, a filha, as amigas, as outras mulheres. Enfraquecer este vínculo é colocar a perder a irmandade, a cumplicidade e a comunidade de mulheres. E elas passam, então, a ter filhos para os homens. Portanto, diz Sau, a maternidade não existe, se as mulheres, como mães, servem aos homens, vivem para eles e não sabem quem são e o que querem, a maternidade não existe. E as mulheres se contentariam em parir os filhos numa espécie de inconsciência calando a boca com um pênis ou com um filho, ela radicaliza. Na verdade a autora faz alusão ao grande mal que o mito do amor romântico – que direciona a existência feminina para o casamento ou para o amor - e o mito do amor materno – que faz dos filhos a centralidade de suas existências - podem fazer à vida das mulheres, imbecilizando-as a elas e sua prole, num miasma de amor cujo objetivo da vida se situa na rede dos afetos pura e simplesmente e propõe que as mulheres usem esta potencia em outras frentes, que cuidem do mundo, oras, ou que não cuidem, e que cresçam e se desenvolvam de outras maneiras também, para além do que se espera delas.
Adoro estas velhas feministas, radicais, furiosas, que preconizam o que há de mais importante no feminismo, um sentimento de pertinência. De pertencer. À casa da minha mãe, da minha avó, das minhas amigas, das minhas filhas, da minha irmã, a filha da minha mãe. Da mesma maneira que as linhagens e associações masculinas são inquebrantáveis, deveríamos voltar a casa materna, para lembrar do essencial.
Mas o vínculo entre as mães e as filha foi rompido, diz Victoria Sau, e pagamos um preço absurdo por este rompimento. Na história do mundo, só resta a história de Deméter e Perséfone para lembrar que as mães e as filhas estiveram juntas em algum momento. Deméter sabe que perdeu sua Core, mesmo que ela volte ao seu encontro em alguns momentos do ano, Deméter chora em Elêusis a perda da sua menina e os mistérios eleusinos são a celebração da nossa dor, da nossa perda deste vínculo que nos constitui de uma maneira definitiva.
Nos perdemos da casa materna quando não ouvimos a nossa própria voz, quando nos portamos como ventríloquos das vontades alheias, quando não sabemos o que queremos, quando nos submetemos, quando negligenciamos quem somos nas nossas relações, quando deixamos de ser importantes, e quando a voz dos nossos pais, maridos, irmãos, maridos, namorados ou chefes soam mais altas do que as nossas. Então submergimos no silêncio, um silêncio que só pode ser resgatado, agora e sempre, através da reflexão sobre como nos portamos no mundo em relação às outras mulheres.

Quando escrevo sobre as mulheres estou tentando voltar pra casa, quando leio sobre elas, estou procurando o caminho de volta, quando procuro imagens de mulheres e investigo como foram pintadas, desenhadas, fotografadas, estou voltando pra casa. Sem pressa, que agora sei que o caminho é longo. O caminho de volta, de quando a gente se perdeu é como o caminho de uma peregrinação, na travessia vamos lembrando do que esquecemos, vamos ao encontro da nossa alma. No final talvez encontremos um refúgio, um lugar para se estar em paz, com um espelho, uma bacia com leite de rosas, uma toalha de linho cru, e onde possamos enfim lembrar deste outro mundo que esquecemos todos os dias.





Brasília, 02 de junho de 2012.

quarta-feira, 23 de maio de 2012


Sobre o episódio Xuxa, por Lélia Almeida.

Sou fã de carteirinha do trabalho da Ministra Maria do Rosário. Já era sua admiradora antes mesmo dela ser ministra. Acompanho com admiração e entusiasmo o seu trabalho como parlamentar que trata, historicamente, de temas espinhosos na área de direitos humanos, a exemplo, dentre outros, do enfrentamento à homofobia, à exploração sexual de crianças e adolescentes e da sua luta pela apuração de abusos e violações dos direitos humanos ocorridos na época da ditadura. E sou fã de carteirinha também do trabalho desenvolvido na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em especial o da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente – SNPDCA, capitaneada bravamente pela Carmen Silveira de Oliveira e sua equipe e cujas ações de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes e do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, conheço mais de perto. O trabalho desenvolvido através destas ações tem mérito reconhecido em âmbito internacional pelo seu ineditismo e coragem e, no caso específico do PPCAAM, por exemplo, o governo brasileiro traz a público a dificílima discussão sobre a letalidade entre crianças e adolescentes, assunto este que nenhuma sociedade tem coragem de abordar, já que abordá-lo significar assumir a nossa negligência principalmente com as crianças e adolescentes pobres deste país e que são abatidos como bichos diariamente nas periferias das nossas grandes cidades.
Glória Perez deu visibilidade através do seu trabalho a temas cuja complexidade a sociedade brasileira só teria condições de compreender através das novelas, atingindo massivamente um grande público e propondo uma discussão inteligente a partir do entretenimento. Sua próxima novela, por exemplo, entre outros temas, vai abordar a questão do tráfico de pessoas. Glória Perez é uma ativista incansável junto às mães e familiares de vítimas de violência, e seu trabalho como ficcionista é compatível com uma prática que a legitima como figura fundamental na prevenção à violência no nosso país.
Há centenas de projetos e ações da maior importância na Esplanada dos Ministérios que a maioria das pessoas desconhece e isto é lamentável, ações maravilhosas, de impacto decisivo e que as pessoas que não estão diretamente envolvidas sequer suspeitam existir e isto também é lamentável. É da maior relevância, portanto, quando celebridades, artistas ou intelectuais assumem publicamente determinadas causas, principalmente as mais difíceis de tratar como as relativas ao abuso de crianças e adolescentes, outro tema que, como sociedade, gostaríamos de esquecer e silenciar, dada a magnitude do horror e do tamanho das providências que devemos, socialmente, todos, tomar. Este envolvimento, portanto, do maior número de atores sociais, na iniciativa que leve ao debate e á reflexão é bem vinda e aplaudida.
Xuxa Meneghel desde 2007 está firmemente engajada no apoio a campanhas governamentais, como “Não bata, eduque” ou como madrinha nacional da campanha contra exploração sexual de jovens, entre outros. Seu depoimento no Fantástico do domingo passado dividiu a opinião pública num grupo que a chama, nas redes sociais, de vadia, pedófila e oportunista, de um lado e do outro, por pessoas que a apoiam e são solidárias, tendo em vista a sua situação, sabemos agora, de adolescente e criança que foi molestada.
Diferentemente do trabalho de Gloria Perez e de outros artistas que apoiam campanhas e causas desta natureza, o que causa certo desconforto é que o trabalho de Xuxa Meneghel sempre propôs uma espécie de imbecilização da infância e da adolescência no nosso país, criando um equivocado e desastroso caldo de cultura desdobrado ad infinitum numa esteira de discípulos que ainda não termina de acabar. Incentivou através do seu trabalho tudo aquilo que as políticas governamentais combatem duramente, como o consumismo infantil, a sexualidade precoce das crianças, a superexposição midiática das mulheres e das meninas, para não ir muito além.
Talvez seja este descompasso entre a prática e o discurso que traduza, na verdade, a desconfiança de muitos sobre o seu depoimento. O de um trabalho que nega, ali, no frigir dos fatos, todo o ideário de autonomia e legitimidade que estas políticas governamentais trouxeram para a vida das crianças e adolescentes de forma definitiva.
As ações governamentais para a infância e a adolescência que temos hoje no Brasil são soberanas, falam por si e estão implementadas em todo o país, algumas delas se constituem em referência internacional pelo seu ineditismo, consistência e ousadia. É ingênuo e equivocado pensar que o depoimento da Xuxa vai fazer com que as pessoas vão se tornar mais conscientes sobre a discussão sobre o abuso infantil, no mínimo porque a escolha do testemunho, dada a sua total falta de senso crítico e reflexão sobre o que realmente seja ser criança e adolescente neste país podem nos fazer pensar, antes de tudo, que a escolha da tal da rainha dos baixinhos para atender a esta demanda hercúlea, foi um colossal e desastroso engano.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Dentro de mim são tempos de romãs.