sexta-feira, 23 de outubro de 2015










Durante muitos anos frequentei a mágica casa dos Verissimo quando fazia a minha tese de mestrado sobre as personagens femininas de O tempo e o Vento do Erico Verissimo, a Dona Mafalda me chamava de Maria Valéria, o acervo estava na casa, com as fichas catalogadas e guardadas em caixas de sapatos. A minha amizade com a querida Marica Ivana de Lima e Silva data de longo tempo. Aqui um momento-tiete total! 

Ladra sem vergonha, por Lélia Almeida.


Estive numa palestra onde as autoras se diziam decentes e éticas em relação ao seu trabalho (duas delas eram jornalistas), que respeitavam as fontes, os testemunhos e que não misturavam o ofício de escritora com o de jornalistas bla bla bla. Me senti péssima naquele universo tão ético e perfeito. Eu que roubo como uma mendiga avarenta e voraz as histórias de todo mundo, uso frases que ouço das pessoas, transformo-as nas falas dos personagens, faço dos meus amigos personagens, me senti o ó da coisa horrorosa. Eu que minto e nem sempre sou ética e que sou capaz de tudo em troca das boas histórias, me senti a última das criaturas na frente daquele panteão de gente legal e decente. Quem escreve mente, trapaceia, brinca, engana, estende armadilhas, vai num churrasco e ouve uma conversa banal e alguém fala Lia, e agradeço a interlocutora, porque a minha próxima personagem vai se chamar Lilia, mas só decido ali, naquele momento em que aparentemente escuto aquela desinteressante história de amor e separação, mas estou com o pé, um pedaço da alma, lá, no outro mundo, de onde nunca saio totalmente, no laboratório, desamparada, desolada, escrevendo, inventando. Sem pensar se sou suficientemente boa ou certa ou decente, pois a literatura é feita de uma matéria prima outra, e vem de um lugar onde a preocupação em agradar ou ser legal não tem muita cabida.


Rapunzel, por Lélia Almeida.

Rapunzel publicou um anúncio no Face procurando um namorado, um cara legal, boa gente, dedicado, companheiro e divertido. Choveram mensagens e ela foi fazendo o descarte pelas fotos, sobraram poucos e ela decidiu recebe-los na porta da torre, deixando as tranças douradas firmemente atadas nas grades da janela. Um deles, um príncipe vindo de terras distantes ajoelhou-se aos seus pés e com voz maviosa disse que lhe seria eternamente fiel e apaixonado, que casaria com ela, que a faria feliz e lhe daria muitos filhos e que ela seria o grande amor de sua vida. Que ela esperasse por ele, tinha ainda muito que resolver, que voltaria, que ela o esperasse, que não se arrependeria pela paciência e perseverança. O mancebo falava de olhos fechados e parecia hipnotizado pela própria voz sem parecer vê-la, nem mesmo ouvi-la ou perguntar o que ela queria. Entendeu que o narciso-em-flor era daqueles que ignoram as demandas das mulheres e que ela mesma nunca ia ter espaço para expressá-las. “Deus-me-livre”, ela pensou escalando silenciosamente de volta pra torre e enquanto ele seguia embalado por suas promessas em mantra sedutor. Quando abriu os olhos a moça já estava lá em cima, e pode ouvir a voz de Rapunzel pela primeira vez, definitiva e firme:

- PRÓXIMO!


Penúria e artimanha na casa amarela, por Lélia Almeida.


Depois que saí da casa em Londres e voltei pro Brasil levei muito tempo sonhando que voltava lá para reencontrar o meu amor, com o tempo o sonho foi se modificando, eu demorava a encontrar a rua da casa, depois a casa não era mais na mesma rua, a paisagem ficava enevoada até que não encontrava mais a casa e nem a rua. A vida tinha andado e nunca mais sonhei nem com a casa e nem com a rua. Agora vivi algo parecido, depois que saí da casa amarela, com a sua varanda ampla de janelas grandes e com o jardim selvagem. No meu sonho estavam as duas labradoras pretas e as caixas de papelão na porta da casa onde elas dormiam nas noites de inverno. Sonhava que voltava lá todas as noites e dormia enrodilhada nelas, tomada de uma tristeza sem fim esperando que ele abrisse a porta e me acolhesse nos seus braços e no seu amor. A porta nunca se abriu. Sempre levantava e partia quando ainda era noite e ia embora para a minha vida sozinha. No meu sonho as cadelas se chamavam Penúria e Artimanha. Acordava com o coração dilacerado e a alma quebrada e custava a levantar da cama e continuar vivendo. Esta semana sonhei que havia dormido além da conta e ao acordar já despontava o amanhecer com a neblina sobre o campo. Parti resoluta e firme, eu, Perséfone, eu, Psiquê. E sem olhar para trás e nem me despedir das cadelas fechei com leveza o portão e atravessei o campo me despedindo dos bois pretos e das garças rosas. Um dia a tristeza começa a ir embora e não voltamos mais para o cenário do abandono e do desamparo, já não precisamos mais de quem não precisa de nós. E estamos prontas para a vida nova.

quinta-feira, 7 de maio de 2015



“Assim na Terra como no Céu”, por Lélia Almeida.

Encontrei com o Louco do Tarot na rodoviária de Osório num final de tarde chuvoso e outonal. Dou aulas em Osório toda quarta-feira, de manhã e de tarde, e no final da tarde a gente deixa o nome com o rapaz do guichê das passagens e se tem lugar para Porto Alegre ele chama o nome das pessoas interessadas. Nunca sabemos se vamos de fato embarcar, mas sempre dá certo.
O que se sentimos diante de uma imagem arquetípica é sempre avassalador. Muitas vezes não sabemos exatamente do que se trata, mas sabemos da potência simbólica da experiência. Ela fala com a nossa alma. Uma vez num carnaval no Rio de Janeiro encontrei com uma adolescente grávida que tinha uma coroa de estrelas na cabeça, uma tiara de plástico, muito simples, era uma moça muito pobre. Mas o esplendor e a força que emanava daquela mulher que alisava serenamente a barriga me fizeram entender que eu estava na frente da Imperatriz. E que a sua beleza tinha a ver com uma vitalidade e prosperidade muito singular.
Sentei no banco da rodoviária esperando que chamassem o meu nome. Um homem jovem, moreno, com a roupa esfarrapada passou por trás do banco onde eu estava sentada. Ele levava uma trouxa vermelha amarrada num cano, tinha a barra das calças dobradas, uma boina basca preta e vestia umas alpargatas destruídas. Do lado dele um cão branco e atrás do cão, vários outros vira-latas. O homem deu um assovio que ecoou pela rodoviária e os outros cães fugiram. Ele desfilou solene pelo espaço e me olhou firmemente. “É o Louco do Tarot”, eu quis gritar pra todo mundo ouvir. E tentei imaginar o que ele estava tentando me dizer naquele entardecer sombrio.
Esta noite acordei de madrugada e pensei que o lema do louco poderia ser este: “Assim na terra como no céu”. E que corresponde um pouco ao significado da carta, o Louco olha as estrelas, com a fé inabalável dos doidos, ele crê no mapa errático e caótico do universo. Ele está à beira de um precipício e não tem nada além da roupa do corpo, uma flor e uma parca mochila. Um cão branco ao seu lado, no entanto, o alerta e guia. O louco anda só e perdido. O louco precisa ousar, sabe que não há como se encontrar sem se perder. Ele é a força motriz, ígnea, selvagem, instintiva, primitiva.
Esta noite tive sonhos com animais selvagens que não sei o nome, animais furiosos, e acordei serena e imensamente alegre. Porque depois de alguns meses de mudanças de vida profundas, que me assustaram muito, hoje, nesta madrugada fria, a minha alma perdeu o medo. O medo de que as escolhas não tenham sido certas, o medo do que virá, o medo que me impedia de ver as linhas do mapa. Perdi o medo e acordei sorrindo ouvindo o canto dos pássaros na casa amarela. O mantra do Louco embalava o amanhecer: “Assim na Terra como no Céu”, e que invoca impressões definitivas, que algumas coisas que nos acontecem talvez já estivessem, misteriosamente, desenhadas e que nem sempre elas correspondem ao que pensávamos desejar. Que elas ainda podem ser outras, diferentes das que supúnhamos possíveis e que ainda assim podem ser maravilhosas e surpreendentes. E que não temos nenhuma espécie de controle sobre nada.
Cheguei a Porto Alegre e fui pegar o Catamarã para ir para casa. As ondas do Guaíba estavam agitadas. Olhei a minha imagem na janela do barco, misturada com a das águas e sigo sem saber quem é esta mulher que passa o batom, arruma o cabelo molhado da chuva e que leva pão preto para casa para jantar no fim do dia.
            Talvez o Louco tenha vindo me anunciar o fim do medo e a certeza da imprevisibilidade das rotas. Talvez aquele olhar e aquele assovio poderoso anunciem o que eu sempre soube: que quem se aventura às grandes mudanças pode, depois de tudo, voar.
            Chego a Guaíba e já é noite e a chuva amainou. E vou para Eldorado do Sul, o lugar onde moro agora. Numa casa que está se transformando num lar. E onde pintamos a velha despensa com tinta cor de laranja. E onde ele me levou para o pátio, numa tarde de verão, para tirar a tinta dos meus cabelos, com um pente destes de catar piolho, tirou os pedaços de tinta, encostei a cabeça no corpo molhado dele e o sol ofuscou os nossos olhos, a cor laranja ficou dourada, os nossos olhos iluminados. Com ele lembrei-me do significado real de palavras esquecidas: alecrim selvagem, flor de hibisco, boi, garça, cágado, lagartixa, erva doce, eucalipto, tempestade. E que determinadas experiências são da ordem da fé e nada mais. Em Eldorado do Sul aprendi que nem tudo que reluz é ouro. E que para além do ouro encontrei apenas o que mais procurava: a vida vívida, a vida viva.


            

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


Corro pelas ruas da cidade, estão todos ansiosos, dezembro é um mês nervoso, há uma urgência no ar. Não estou mais na cidade e também ainda não estou lá na cidade do sul. Vivo num tempo e num espaço suspensos. Um limbo, um intervalo, um gap. Uma amiga me disse, se eu fosse você eu não ia, eu expliquei a ela que se eu fosse eu, que eu também não ia. Mas que não sei quem é esta pessoa que decidiu partir, e que agora vou ter de conhecê-la também. No tempo do intervalo, uma estranha urdidura do que jamais voltarei a ser e do que eu nem sonhava que poderia ser. Caminho rápido como todos pelas ruas de uma Brasília outonal e chuvosa, cheia de tarefas e finalizações, despedidas, sem tempo a perder. Eu vou, não sei bem como, mas vou.


(Lélia Almeida)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014


Não quero escrever nada desta vez.
Não quero explicar.
Desta vez vou ficar bem quietinha.
E te ler.
Desta vez vou apenas lavar as alfaces e te espiar pela janela,
concentrado,
cortando a grama.
Lava e chuva, liquefeita por dentro.


(Lélia Almeida)

No cerrado flori inteira.
De securas e duras florações
Para o voo exuberante.
Obrigada, minha Brasília.


(Lélia Almeida)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


No Natal vai nascer uma menina, por Lélia Almeida.

Numa tardinha quente de fevereiro, minha mãe, grávida de sete meses, subiu os três andares do edifício onde morava, carregando uma melancia. O trabalho de parto começou naquela noite. E ninguém sabia que era um casal de gêmeos. Meu irmão nasceu um menino muito pequeno e quando minha mãe fez força para expulsar a placenta o médico anunciou que era uma menina, menor que ele ainda. Durante muito tempo o meu apelido familiar foi o resto. Meu irmão ganhou peso e pôde ir para casa e eu fiquei ainda um tempo na incubadora do hospital. Fiquei para ganhar peso através de uma sonda de soro e gotas de leite materno pingadas num chumaço de algodão pelas mãos de freiras fervorosas que me batizaram como Lélia Maria, em homenagem à Virgem, para que eu sobrevivesse. Sinto que todas as decisões da minha vida não foram, inteiramente, tomadas por mim. Mas pelo espírito valente daquela menina que se mantinha a sopros e determinação, dia a pós dia, decidindo ficar.
Sempre que vivi provas que me pareceram impossíveis de suportar agradeci a travessia. Mas hoje eu sei que a decisão de suportar ou desistir não me cabia. Aquela menina diminuta já tinha decidido por mim, lá, no início de tudo. E hoje, quando me desespero entro em sintonia com o espírito dela, o corpo enrolado em fios e panos, numa incubadora que talvez lembrasse a precariedade da manjedoura como a daquela história de tanto amor. Ela respira e não desiste. Eu reverencio aquela menina a cada noite escura que meu coração pede trégua. Então eu fico, eu digo, depois de orar, e agradeço a sua força.
Eu fico. E quero a minha jornada por inteiro.
Com tudo o que me cabe.

Amém!

domingo, 23 de novembro de 2014




Mas o que tinha, afinal, naquela casa,
Que não coubesse em outras?
Um homem com mãos quentes e paredes sólidas,
Árvores de raízes antigas e água limpa
Frestas por onde suspiravam ainda, debilmente, dores já vencidas.
A respiração dele e duas cadelas
Uma vida de verdade
E o olho do meu amor que conhece desde sempre
A minha fome.

Sexta feira voltei pra casa de lotação depois do trabalho, um fim de tarde quente e abafado, as pessoas cansadas da semana de rotinas. Sentei ao lado do motorista, ele me disse: "- Esta é a melhor hora do dia, quando eu chego em casa a minha menina de dois anos traz as minhas sandálias pra eu descansar." Para segurar o pranto perguntei o nome da menina e ele disse "Celeste, ela se chama Celeste." O céu de Brasília era esplendoroso e as minhas lágrimas balsâmicas e curativas. Lembrei de como o meu pai deitava a cabeça no meu colo depois do almoço quando eu era uma menina para um cochilo antes de trabalhar. E quis agradecer ao motorista e dizer pra ele que é assim que as meninas se preparam para o amor. Desci em prantos da lotação e fui ao mercado comprar abóboras verdes e ração para os gatos. Queria contar pra todo mundo na rua: estou voltando pra casa, estou finalmente voltando pra casa. E caminhei certa e firme carregando as compras rumo ao meu destino que é te encontrar e partir para a nossa vida nova.

(Lélia Almeida)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014







Para as mulheres que querem escrever, por Lélia Almeida.

"Quando você está escrevendo, você está invocando alguma coisa. É um ritual. Você precisa ser bravo e respeitoso e ás vezes sair da frente do que quer que você convidou para entrar no quarto.”
"Escrever é caçar pássaros sem matá-los."
Tom Waits.

Para as mulheres que querem escrever e ser escritoras, só posso dizer isto: vocês não vão ter uma vida simples e comum. Não se iludam, meninas. Quem quer escrever de verdade tem que viver como uma escritora. E viver como escritora inclui uma entrega absoluta a experiências inusitadas, uma atenção obsessiva às pessoas e uma observação permanente a tudo o que nos rodeia. A escrita requer abandono, improviso, imaginação, capacidade infinita de fabulação e uma técnica que não se aprende fora do exercício diário com as palavras.
Alguns homens vão se apaixonar por você, minha amiga, porque acham o máximo uma mulher escritora.
 Acham excêntrico, por vezes, exótico. E vão se desapaixonar pelos mesmos motivos. Um dia que você não fizer a omelete que ele tanto ama porque está atrás de um conector adequado para o conto em andamento, o amor acaba. O único imenso amor que você poderá experimentar será o de uns poucos leitores e este amor será verdadeiro e para sempre. O único amor possível para uma mulher que escreve é o amor que ela sente por este expediente que nos leva em intervalos curtos do céu ao inferno ao longo de uma vida.
Doris Lessing, Virginia Woolf, Sylvia Plath, Clarice Lispector e tantas outras amaram mais as palavras que os próprios filhos ou outras pessoas, elas amavam os personagens, e foram, eventualmente, trucidadas por tamanha ousadia. Elas amavam o pensamento, a criação e o ofício, o duro ofício de criar vidas de uma outra maneira e fazer esta vida reverberar pelos tempos.
Hoje subi no ônibus para ir trabalhar e me ofereci para carregar uma bolsa de livros pesada de uma moça que estava em pé ao meu lado. Ela aceitou a gentileza. Imediatamente imaginei que havia uma criança dentro da bolsa e que a moça descia rápida do ônibus me deixando com o bebê. Assim são os escritores, dementes, imaginativos, doidos. Uma vez, no aeroporto do Rio, cai num pranto daqueles de soluço e ranho enquanto um rapaz muito gentil se aproximou com um lenço e perguntou, querendo ajudar, o que havia acontecido para que eu chorasse daquela maneira. Eu disse a ele que era melhor ele não saber, que ele ia ficar muito assustado. Tinha acabado de entender o final do romance que estou escrevendo, uma cena de desencontro de dois amantes num aeroporto e chorei como uma bezerra desmamada sob o olhar atônito do rapaz. Não tinha como explicar a ele que por muito menos pessoas são internadas como descompensadas e disfuncionais.
Escritores podem passar dias imaginando como vão matar alguém, planejando vinganças sórdidas, assaltos, tramoias, traições. Mentem quase sempre sem o menor pudor. E podem passar dias e noites mergulhados em dicionários analógicos, de sinônimos e antônimos num sofrimento sem fim em busca daquela única palavra capaz de dizer o que eles precisam. Não são pessoas normais. São intensas e sem graça, não sabem lidar com as coisas práticas da vida, oscilam entre a histeria e a fobia, e são afeitos aos subterrâneos onde poucos se atrevem a ir, como arqueólogos perdidos que quase sempre não sabem o que procuram e menos ainda o que vão encontrar.
Precisam viajar e conhecer cidades, paisagens, cenários, pessoas e, principalmente, ouvir o ouro em pó que elas nos brindam quase sempre sem querer. 
No belo filme do Fred Zinnemann, “Julia” de 1977, que conta a vida da Lillian Hellman, baseado no primoroso texto “Pentimento”, Jane Fonda que interpreta a Hellman, bêbada e envolta em peles num teatro de Moscou, liga para o Dashiell Hammett contando da sua felicidade por estar com um belo casaco de peles e sendo ovacionada como dramaturga. Ele diz a ela que nunca esqueça que nada disto tem nada a ver com escrever. Ele sabia de coisas simples que são frequentemente esquecidas. Escritores não combinam com celebridades. Escritores vivem de outra matéria, de uma matéria suja, feia, escondida, precisam de solidão, disciplina, isolamento e silêncio, um silêncio que nos faz obrar por dentro, escavar no obscuro e no desconhecido.
Assim, minhas queridas amigas que querem escrever, desistam da vida sonhada se quiserem amar as palavras como elas precisam, entreguem-se a uma vida que o ofício é quem cria, e não o contrário. E escrevam pelo único motivo nobre que nos move para este destino estranho, porque não sabemos fazer outra coisa, ou pelo simples fato de que não queremos fazer outra coisa, e porque foi ele que nos escolheu. É simples. E bem complicado de fazer acontecer. Desista do êxito, do dinheiro farto, dos editores generosos e compreensivos, do sucesso e da vida fácil. Escrever é para os doidos, os abençoados doidos, que tocam ali, com suavidade e violência, numa pulsão que não se encontra em nenhum outro lugar.
Boa sorte e uma infinita paciência para todas nós.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014


Novo livro da Coleção Os Contemporâneos, da Editora Confraria do Vento.

"ESTE OUTRO MUNDO QUE ESQUECEMOS TODOS OS DIAS",
de Lélia Almeida.


Neste seu mais novo livro, Lélia Almeida reúne crônicas, anteriormente publicadas em seu blog Mujer de Palabras, nas quais reflete a vida a partir da perspectiva feminina, com a qual converte o comum em grandioso, e o ordinário em extraordinário.