terça-feira, 28 de junho de 2011

O fim da tristeza:

Lélia Almeida.

Um mar de lágrimas. Uma mulher muito branca atravessa, numa embarcação pequena, um mar de lágrimas. O céu é azul cobalto e as estrelas imensas. A mulher tem os cabelos grisalhos e vestes transparentes. Está em pé na embarcação e chora com as mãos no rosto, em tristeza profunda um pranto sem fim. A embarcação desliza lentamente, o pranto é desolador, as estrelas despencam do firmamento e deixam o mar brilhante, como papel laminado. Uma transformação acontece enquanto a embarcação avança e a mulher chora. É uma transmutação, na verdade. A mulher solta os braços sobre o corpo, levanta a cabeça e vê a chuva de estrelas que despenca do céu. O ar é leve agora, a mulher não chora mais, respira a plenos pulmões e compreende o milagre. Um dia a dor vai embora, um dia a dor não nos quer mais. E então a única aventura possível é rumar firme para a alegria. A mulher avança. A paisagem agora é solar e ela vai para o seu centro, depois da travessia da dor. Ela volta para casa, finalmente. Ela volta para ela.

3 comentários:

Noslen disse...

Fantástico, sem cancelas, delicadamente. Parabéns

Silvia Badim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silvia Badim disse...

e é tão bom voltar. talvez fique uma lembrança de estar dentro do mar de lágrimas. talvez fique a sensação do mergulho solitário e do frio da volta. talvez o vento ainda corte os braços e o peito nu.
mas, talvez essas sensações algum dia se transformem em estrelas. que brilham. Beijo!