quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Estamos nivelados em cruzeiro:

Lélia Almeida.

Boa noite a todos. Eu sou o Comandante Mauro e quero dar boa-noite a todos. E dizer que temos céu limpo e temperatura firme até Brasília. Já deixamos para trás a massa de ar frio que estava sobre a cidade de Porto Alegre, estamos voando a 12 mil metros e estamos sobrevoando neste momento as cidades de São Paulo e Campinas. Logo estaremos sobrevoando o centro-oeste do país onde a temperatura é amena e seca. Aos que seguem viagem para Imperatriz e São Luis do Maranhão desejamos boa viagem e aos que descem na capital do país desejamos uma boa estada. Já morei muitos anos em Brasília onde tive dois filhos e onde fui muito feliz. Além de ser um lugar politicamente importante, a nossa capital é uma cidade encantadora, tem uma arquitetura única que os senhores não encontrarão em nenhum outro lugar do mundo e a mistura de gentes que ali construiu esta jovem cidade criou uma qualidade cultural e afetiva muito singular. Aproveitem a cidade. As chuvas, para quem não conhece a região, ainda tardarão, só virão a partir de setembro e nesta época do ano, no outono, a luz da cidade é de uma beleza sem igual. Nesta noite de sexta-feira estamos todos cansados e ansiosos para voltar para casa, para o nosso refúgio, para os nossos, e por isso eu desejo a todos um bom retorno. Do lado direito do avião vocês poderão ver a lua cheia em plenilúnio, é uma noite magnífica e não teremos contratempos nem turbulências. Estamos nivelados em cruzeiro, e em breve aterrizaremos em paz e segurança. Boa noite a todos.

Foi o que o comandante disse, estamos nivelados em cruzeiro.
Eu não sei, tecnicamente, o que é isso, mas me senti muito segura voltando pra casa, e apesar do cansaço, tive uma certeza infinita de que estava sendo bem conduzida, seguindo as estrelas rumo ao calor do cerrado.
Senti que essa era a orientação certa, ser guiada por um navegador através do mapa celeste, e gostei de saber que podíamos ir assim, numa nave sólida e com pouca luz, onde muitos dormitavam suas esperanças de um fim de semana no aconchego do lar.
Gostei de saber que é possível andar assim pela vida, nivelados pelo cruzeiro, e então senti que estava, finalmente, tudo bem, e adormeci sem medo da estranheza dos caminhos. Sabendo que mesmo quando dá tudo errado, está tudo certo.

Um comentário:

Alcir disse...

Lélia amada, o assunto da crônica de hj é muito interessante e adequada, pois senti q apesar das turbulências podemos nos sentir estabilizados........seja pelo amor próprio, seja pela existência de um amor maior...........em fim mais uma vez fui surpreendida pela tua capacidade de entrar dentro de cada um no momento em que escreve. Bjs amiga querida Vera Regina Riccordi